DRM da Amazon

O DRM da Amazon é motivo de dúvidas de muitos de nossos clientes. Tanto de pessoas que não têm certeza de qual escolha fazer quanto daquelas que estão particularmente preocupadas com os potenciais leitores e leitoras passarem, agora, a ter a opção de baixar PDFs.

DRM da Amazon

O novo modelo de DRM da Amazon

A Amazon KDP enviou um e-mail em dezembro de 2025 dizendo que, a partir de 20 de janeiro de 2026, a Amazon iria “facilitar para que os leitores aproveitem o conteúdo que compraram na loja Kindle em uma gama mais ampla de dispositivos e aplicativos”.

Em resumo, a Amazon estará, segundo ela, oferecendo novas opções de DRM aos autores e autoras.

Se você optar por aplicar o DRM à sua obra, nada muda. No entanto, se optar por não aplicar DRM da Amazon ao seu ebook, os leitores passarão a ter a possibilidade de baixar versões EPUB e PDF dos seus livros.

O e-mail enviado pela Amazon não dizia muito mais, além de fornecer instruções sobre como alterar o status de DRM de livros já publicados, mas incluía um link para esta página de Ajuda.

Isso gerou uma confusão compreensível.

A questão do DRM da Amazon

Em termos simples, ebooks são basicamente um monte de páginas HTML com um invólucro ao redor, e o DRM é basicamente um cadeado nesse invólucro que funciona como uma espécie de proteção contra pirataria.

Algumas pessoas são a favor do DRM porque ele (a princípio) impede coisas como compartilhamento de arquivos, plágio ou revenda do trabalho por parte de piratas de Internet.

Outras pessoas são contra o DRM porque ele não é muito eficaz em impedir nenhuma dessas coisas, mas tem consequências prejudiciais para leitores bem intencionais, como, por exemplo, fazer com que livros comprados legalmente pelos leitores fiquem vinculados forçosamente a uma única loja ou a um único dispositivo de leitura.

Por exemplo, às vezes gosto de ler os ebooks do Kindle que comprei no meu dispositivo Paperwhite em outros dispositivos para celular, mas se o DRM tiver sido ativado pelo autor ou autora, não consigo fazer isso. E se eu decidisse trocar do Kindle para o Kobo, só conseguiria levar comigo os livros que não tivessem DRM.

Acho que os autores têm o direito de tomar suas próprias decisões sobre como escolher proteger seu trabalho, e digo isso sem querer convencer você de um lado ou de outro aqui. Pessoalmente, não sou a favor do DRM, então geralmente não o aplico aos meus ebooks.

Se você optar por aplicar DRM aos seus ebooks, essa é a sua escolha. O meu objetivo aqui não é tentar mudar sua opinião. Eu só quero que todos estejam informados sobre o que as novas escolhas significam.

Mas, mesmo para alguém com minhas opiniões sobre DRM, a opção de download em PDF é uma surpresa.

A nova opção

Vamos esclarecer parte dessa confusão:

  • Independentemente da sua decisão sobre ativar ou não o DRM da Amazon, os leitores continuarão podendo aproveitar seus ebooks em dispositivos originais e aplicativos Kindle.
  • Se você optar por ativar o DRM da Amazon em ebooks recém-publicados, os leitores não poderão baixar cópias dele nem lê-lo em dispositivos/aplicativos que não sejam da Amazon.
  • Se você optar por não ativar o DRM em ebooks recém-publicados, os leitores terão a opção de baixar seus livros digitais nos formatos EPUB ou PDF e poderão ler seu trabalho em dispositivos/aplicativos que não sejam da Amazon.
  • Para livros publicados anteriormente, se você optou por ativar o DRM, nada muda e você não precisa fazer nada.
  • Se você optou anteriormente por não ativar o DRM em obras já publicadas, os leitores não passam a ter automaticamente a capacidade de baixar seus livros (você precisa escolher explicitamente essa opção no KDP).
    Você não precisa decidir imediatamente, mas você não poderá publicar nenhuma alteração em um ebook antigo com DRM desativado até tomar essa decisão. Eu nem consegui publicar uma mudança de preço sem fazer essa escolha.
  • Para o Kindle Unlimited, nada muda. Os usuários que pegarem emprestado não terão a capacidade de baixar cópias dos seus livros digitais, independentemente da sua decisão sobre o DRM da Amazon.
  • Sua decisão não é mais definitiva. Agora você pode alterar suas configurações de DRM a qualquer momento (o que com certeza é uma mudança bem-vinda, já que antes você ficava preso à sua escolha para sempre).
    No entanto, se os leitores já tiverem baixado seu ebook por causa das suas escolhas de DRM, eles poderão manter essas cópias.
  • Também devo salientar que os leitores e leitoras sempre puderam, historicamente, baixar cópias dos livros Kindle que compraram por meio de uma espécie de método alternativo. Pelo menos desde que tenho um Kindle (ou seja, desde 2011), os leitores podiam baixar cópias dos ebooks que possuíam simplesmente conectando o Kindle a um computador com um cabo USB.

Claro, se o DRM da Amazon estivesse ativado, eles não conseguiriam abrir o arquivo (a menos que quebrassem o DRM da Amazon usando um Programa para remover DRM Kindle).

Mas se o DRM não estivesse ativado, os leitores sempre puderam baixar cópias dos ebooks que compraram e fazer backup no computador ou lê-los em outros dispositivos, se quisessem.

Portanto, permitir que os leitores baixem EPUBs não é algo tão novo assim; apenas a forma como isso acontece mudou um pouco.

PDFs são outra história. Embora eu pessoalmente sempre tenha optado por não ativar o DRM da Amazon nos meus trabalhos, quando tive escolha, muitas vezes fiquei desconfiado quando alguém me enviava um email solicitando uma edição em PDF de um livro meu.

Se você converte o arquivo para PDF, isso fixa o texto no lugar, permitindo fazer anotações com segurança. Eu imagino é que a Amazon vai adicionar essa funcionalidade ao Kindle Scribe. Então, talvez seja por isso.

O que os leitores veem?

Não acho que a maioria dos leitores ou leitoras vá sequer notar essa mudança, muito menos usar a opção de download. E o motivo é profundamente estranho.

Republiquei um dos meus ebooks e optei por desativar o DRM e ativar os downloads de EPUB/PDF e percebi que não é como se a Amazon colocasse um grande botão de download nas mensagens de confirmação quando um leitor compra um ebook na loja, ou sequer marque o status de DRM de um ebook na página do produto.

Tudo o que mudou é que os leitores têm uma opção de download de EPUB/PDF se navegarem até “Gerenciar meu conteúdo digital” no próprio site da Amazon e encontrarem o livro digital que desejam baixar.

Se eles clicarem no botão “Mais ações”, aparecerá um menu suspenso com 6 ou 7 opções para gerenciar o conteúdo [incluindo Baixar EPUB/PDF (apenas em livros com as respectivas permissões concedidas)].

Então aciona o download de um arquivo zip para o computador. Convenhamos que essa não é exatamente a experiência mais óbvia ou amigável ao usuário.

Mas o que vem dentro do arquivo zip? É aí que as coisas ficam super estranhas. Porque o que você recebe é um monte de arquivos CSS e XHTML.

É até engraçado que, depois de toda essa complicação, você não recebe de fato um arquivo PDF ou EPUB legível. Presumivelmente, seria necessário compilá-lo primeiro em um programa como o Calibre — e ter o conhecimento técnico para isso, é claro.

Um dos arquivos em uma subpasta até permite que você leia o conteúdo no navegador de uma forma muito rudimentar. Mas isso é algo que os leitores já podem fazer no site da Amazon de qualquer maneira, e de forma muito mais agradável, independentemente das suas escolhas de DRM da Amazon.

Talvez a Amazon planeje melhorar a experiência do lado do leitor; porque, do jeito que está agora, é uma bagunça total.

Mas, como está, mesmo que você opte por ativar os downloads, os leitores não estão recebendo nada que 99,9% deles consiga usar de qualquer forma.

Agora que você já sabe as novas opções do DRM da Amazon, veja Como remover o DRM de eBooks da Amazon

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